Page 39 - Boletim 2025 - ELF
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Lacan... na série
Neste ano de 2026 em que a Escola se debruça sobre a questão do
inconsciente e a presença do analista, trabalharemos O seminário, livro 8 –
A transferência (1960/61), anunciada por Lacan a partir de três pontos: sua
disparidade subjetiva, sua pretensa situação e suas excursões técnicas. Situada
para além de uma concepção estritamente teórica, sustentando a psicanálise
enquanto práxis, Lacan apontará a transferência enquanto núcleo central
da experiência analítica. Comentando O Banquete, de Platão, a dinâmica
da transferência é desdobrada desde Freud pela mola do amor, fazendo
aparecer o desejo do analista como força e eixo fundamental da análise.
Estabelecendo um corte com a noção de intersubjetividade e interrogando
a dimensão repetitiva da transferência, Lacan lança uma discussão sobre a
suposição de saber que se destina a ser escutada; possibilidade de que algo
novo se inscreva na experiência inédita do inconsciente, na direção singular
da verdade do sujeito. Na trilha das discussões sobre o desejo e a ética,
Lacan situa o lugar do analista na transferência a partir do objeto agalmático,
sustentando com sua presença a questão crucial da análise: Che vuoi?
Em O seminário, livro 17 – O avesso da psicanálise (1969/70) Lacan
retoma a frase com que abre o seminário do ano anterior, De um Outro ao
outro: “o que está em questão no discurso como uma estrutura necessária,
que ultrapassa em muito a palavra (...) é um discurso sem palavras” (p. 11).
Trata-se de uma retomada do projeto freudiano pelo avesso e de dar-lhe seu
estatuto. Para isso, é elaborada, no nível de estrutura signifi cante, uma álgebra
que funciona como realidade do discurso, composta por quatro elementos:
, S , S e a. A partir de um quarto de giro é possível obter quatro estruturas,
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quatro posições de discurso radicais (p. 19): discurso do mestre, discurso da
histérica, discurso do analista e discurso universitário. Lacan critica o discurso
da ciência, que faz da verdade um jogo de valores, se apoiando no discurso
da lógica proposicional, que consiste em ordenar proposições de tal modo
que elas sejam sempre verdadeiras. Já o discurso analítico “se distingue por
formular a pergunta de para que serve essa forma de saber, que rejeita e exclui
a dinâmica da verdade” (p. 95).
Bruno Netto dos Reys, Claudia Mayrink
O seminário, livro 8 – A transferência
Início: 12 de março às 19h30.
Deborah Tenenbaum, Renata Salgado, Simone Pencak
O seminário, livro 17 – O avesso da psicanálise
Início: 19 de março às 19h.
Bruno Netto dos Reys, Claudia Mayrink e Nestor Torralbas
Quintas-feiras (semanal)
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