Page 5 - Boletim 2025 - ELF
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Inconsciente e presença do analista
O inconsciente ex-siste ao ato analítico que o instaura. A presença
do analista é uma manifestação do inconsciente, enquanto testemunho
de uma perda irredutível, uma perda seca. Como pensar o analista sem a
experiência do inconsciente? Um analista advém de uma análise “na sua
própria carne”, extraindo daí a convicção de sua existência.
Na pulsação do inconsciente entre abertura e fechamento, o
analista comparece como causa a ser sustentada na experiência analítica.
Estruturado como uma linguagem, na hiância da articulação signifi cante
não se entreouve a função de causa no inconsciente?
O inconsciente constitui um saber, S , que no lugar da verdade
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sustenta a função de semblante no discurso analítico: o objeto a, causa
do desejo. Saber que se cifra em letra de gozo de um corpo afetado
pel’alíngua dos primórdios, sem gramática nem sentido, restos gozantes
que compõem a materialidade desse saber.
O nó borromeano escreve a localização topológica do inconsciente
com a colocação em plano dos três registros RSI. Escrita essa que delimita
os campos de ex-sistência, o inconsciente situado entre a rodela do
simbólico e sua abertura em reta ao infi nito.
O parlêtre é afl igido por um saber insabido que se pode dizer real.
O inconsciente ainda insiste. Essa insistência causa a Escola a
propor mais uma volta a esse fundamento da psicanálise e, dessa vez,
circunscrevendo a implicação do analista no inconsciente.
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