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Inconsciente e presença do analista


                  O inconsciente ex-siste ao ato analítico que o instaura. A presença
            do analista é uma manifestação do inconsciente, enquanto testemunho
            de uma perda irredutível, uma perda seca. Como pensar o analista sem a
            experiência do inconsciente? Um analista advém de uma análise “na sua
            própria carne”, extraindo daí a convicção de sua existência.
                  Na  pulsação  do  inconsciente  entre  abertura  e  fechamento,  o
            analista comparece como causa a ser sustentada na experiência analítica.
            Estruturado como uma linguagem, na hiância da articulação signifi cante
            não se entreouve a função de causa no inconsciente?
                  O inconsciente constitui um saber, S , que no lugar da verdade
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            sustenta a função de semblante no discurso analítico: o objeto a, causa
            do desejo. Saber que se cifra em letra de gozo de um corpo afetado
            pel’alíngua dos primórdios, sem gramática nem sentido, restos gozantes
            que compõem a materialidade desse saber.
                  O nó borromeano escreve a localização topológica do inconsciente
            com a colocação em plano dos três registros RSI. Escrita essa que delimita
            os  campos  de  ex-sistência,  o  inconsciente  situado  entre  a  rodela  do
            simbólico e sua abertura em reta ao infi nito.
                  O parlêtre é afl igido por um saber insabido que se pode dizer real.
                  O inconsciente ainda insiste. Essa insistência causa a Escola a
            propor mais uma volta a esse fundamento da psicanálise e, dessa vez,
            circunscrevendo a implicação do analista no inconsciente.




























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